sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Quando a Periferia invade o reduto da Elite



  • "Jovens invadem shopping de Guarulhos e causam tumulto". SBT.com
  • "Jovens marcam encontro pela internet e causam tumulto em shopping em SP". Folha de SP.com
  • "Baile funk com 6 mil jovens fecha shopping em SP. Centro comercial da zona leste chamou a polícia depois que grupo se exaltou; atividades foram encerradas mais cedo."Band.com
  • "Jovens Invadem Shopping Em Itaquera. Dois são presos após baile funk em shopping terminar em arrastão". noticianua.com


Vejo esses jovens como resultado de uma sociedade elitista e excludente. Jovens que possuem carência de educação, uma vez que o que as Escolas se transformaram em depósito de alienados. Jovens que possuem carência de atenção e carinho, uma vez que os pais, quando possuem, não tem tempo disponível para passar valores, valores esses que foram perdidos ao longo das décadas. Jovens que querem um lugar ao sol, querem ser vistos, querem ser notados, e querem mostrar que podem. Podem realizar algo, mas o quê? 
Nem eles sabem. Sem orientação, sem conhecimento, sem noção, eles acabam fazendo qualquer coisa, sem nem perceber se está certo ou errado. 
Neste caso da "invasão" ao shopping, simplesmente passaram dos limites por tentar realizar um encontro totalmente sem saber o que estavam de fato tentando realizar. 
Não os informaram que encontro por encontro não traz benefícios, mas também não falaram para a sociedade, que encontro por encontro também é uma forma de expressão, o grito engasgado dos jovens que precisam ser vistos de forma mais cuidadosa, de forma mais concreta. 
Acho que de forma subliminar, podemos entender que Jovem sendo de periferia ou não, também é cidadão, também faz e acontece, também realiza. Acho que é hora de parar de criar números para enganar os intelectuais e criar cidadãos reais para criar uma nação sólida e igualitária.
Quando criamos idiotas, estamos fadados a ser vítimas deles!
Criar uma nação em cima de mentiras, em cima de disputas, em cima de corrupção, só trará situações cada vez mais críticas.
A exclusão, seja ela qual for, só aumentará o desejo de inclusão a qualquer custo.
Os shoppings foram criados para excluir, para manter a elite livre da plebe durante seu consumo.
E agora a plebe também está dizendo que pode frequentar esse reduto. 
Mas enquanto tivermos intrínseco, que periferia não pode se misturar a elite, e elite pode tudo até excluir a periferia e reprimi-la, teremos cada vez mais esse confronto.
Pois o que devemos pensar é que todos somos cidadão, e como tal temos direitos iguais e portanto também temos deveres iguais.
@zilaraujo


sábado, 14 de dezembro de 2013



Os bonecos de ventríloquo das "redes sociais"

Vendo alguns vídeos, lendo alguns posts e refletindo.
Fiquei pensando nesta coisa da "rede social", quando eu penso na sociedade e no "auxílio" das tecnologias (celular, computador, tablet, internet,etcs), procuro passar valores, as vezes passo reflexões, e tb não fujo da questão pessoal, até porque ninguém é de ferro.
Com ser humano, como uma pessoa de carne, osso, sentimentos e pensamentos, pode parecer que não, mas sim sou assim também, reflito, aliás, ultimamente tenho refletido muito.
As "redes sociais" atuais, na minha concepção, deveriam ser um local para socialização virtual, que culminassem e acrescentassem na vida física das pessoas.
Um local de compartilhamento de informações, de crescimento intelectual, aprendizado, mas infelizmente elas tomaram um outro rumo. 
As pessoas estão ali, mas não estão, e essa é a ideia. Ma o que quero dizer é que, pessoas postam coisas, as vezes sem sentido, as vezes com sentido, e muitos não sabem dosar, não sabem refletir, não sabem "separar o joio do trigo". 
Tomam mentiras como verdades, tomam verdades como invenções.
Compartilham coisas sem nem saber do que se trata, participam de discussões sem saber argumentar, só pelo simples prazer de agredir verbalmente, ou pegam para si postagens que não lhe foram direcionadas, como se fosse um ataque pessoal, quando na verdade não é.
Se alguém posta mensagens "subliminares", tentam descobrir do que se trata, somente por simples curiosidade, para saber o que realmente é, pela simples fofoca, e não com intuito de ajudar.
As relações se tornaram mais virtuais e frias, as relações humanas estão se perdendo. A preocupação verdadeira, o cuidado com o outro, se perdeu.
Se a pessoas está melancólica, não se dá importância. Mas se a pessoa posta algo que reflete status a maioria aprova, mesmo que seja uma grande mentira, mesmo que seja uma grande invenção.
Onde foi parar o lado humano? 
Vivemos no regime capitalista, onde ter é melhor que ser. Se você tem, você é. Se você não tem, você não existe.
A inversão de valores está gritante na nossa sociedade. Vejo e sinto isso.
Poderia aqui dar uma de "acadêmica", escrever bonito, citar autores e filósofos.
Mas, teoria não se aplica aqui, a teoria não modifica a sociedade, ela só a descreve, o que mostra com teoria, nem sempre se aplica na prática.
Vivemos atualmente num mundo de números (é aquele ter mais), as pessoas foram transformadas em números, o mundo está se traduzindo em números.
É o número do celular, o número do IP, o número do SUS, o Número do RG, o Número do CPF, Número da conta bancária, Número do saldo bancário, Número de ítens que se tem....números... números... números....
Mas e o que se tem na mente, no coração, na alma, no sentimento, no saber??? São Números??
Fiquei e fico incomodada, com a  curiosidade especulativa, gostaria mais que fosse uma curiosidade humanitária.
Mas o que esperar de uma sociedade que está cada vez mais aprendendo a desumanidade e tornando isso algo natural???
A naturalização da maldade, do desapego, da intolerância, do descaso, está levando a sociedade ao caos. Mas esse caos é que dá lucro a poucos e precarização da maioria. E a maioria alienada está promovendo tudo isso sem se dar conta.
E as "redes sociais" estão se tornando o palco de tudo isso. Seus atores estão a cada dia mais vorazes, se tornaram bonecos de ventríloquo. Mas espero um dia, que deixem de ser pinóquios e virem garotos de verdade!
@zilaraujo




fonte imagem: http://msalx.mundoestranho.abril.com.br/2013/06/13/1634/mundoestranho-135-35-620.jpeg?1371152071

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013








Cenas da Escola:


Conversando com alunos do 1º Termo (EJA - sala de aula destinada adultos ou jovens maiores de 18 anos, 1º ano do Ensino médio que é realizado num prazo mais curto de 6 meses) durante a ultima reunião do ano. 
Ao assinar a lista uma aluna reparou que outra aluna passou de ano pelo conselho de professores.

A aluna perguntou: Professora, porque essa aluna passou se ela parou de vir pra escola?

Resposta: Veja bem querida, essa aluna teve notas ótimas com todos os professores no outro bimestre, e também teve uma boa frequência nas aulas, porém no ultimo bimestre ela conseguiu arrumar um emprego e não conseguiu mais frequentar as aulas, até tentou vir durante suas folgas, mas mesmo assim não conseguiu ter 100% de frequência. Percebemos que ela ficou muito triste. Mas durante o conselho os professores viram a dificuldade desta aluna, que como muitos adultos, que tentam retornar aos estudos, são impedidos por precisarem trabalhar, por isso entendemos que não seria justo reprová-la e resolvemos dar uma segunda chance, para que ela passe e possa voltar no próximo ano e concluir seus estudos. O papel do professor também é esse, é ter um olhar diferenciado e auxiliar seus alunos em suas dificuldades, assim ela terá mais força para poder se esforçar e retornar, e não desistirá como tantos desistem por terem dificuldades, como aconteceu com tantos amigos esse semestre.

Aluna: Poxa professora, é verdade, é muito difícil, que bom que vocês pensem assim e nos ajudam e olham todas nossas dificuldades. Que bom seria se todas escolas tivessem professores como vocês.

Resposta: Nós demos um empurrãozinho, porém no próximo ano ela terá que se esforçar o dobro, para provar que não estávamos errados, e ela só conseguirá com a ajuda de todos os colegas. pois uns auxiliando aos outros, todos conseguirão chegar ao fim do próximo ano e se formar.

Aluna: É verdade, no próximo ano farei o possível para ajudar meus amigos que tiverem dificuldades e não deixarei eles desistirem. Obrigada professora.

Terminada a reunião, os alunos foram embora, e assim foi-se mais um semestre, mais uma conclusão de trabalho, e a certeza que pudemos ajudar pessoas que podem num futuro próximo, aprender e principalmente passar pra frente o que aprendeu. Compartilhar não somente o conhecimento mas também a bondade.


Acho que o papel do professor está além de simplesmente "passar conteúdo". Infelizmente hoje a escola é um local de depósito de crianças e jovens". Se com nosso trabalho não podemos fazer o que deveria ser feito, para quê estar ali? E o que deve ser feito? Se não conseguimos passar o conhecimento necessário para vida, que pelo menos possamos passar um pouco de "HUMANIDADE" aos nossos alunos. Esse é o grande exemplo de um "mestre". E eu ainda acredito na força do compartilhamento, da bondade. E mesmo que não tenhamos essa humanidade e bondade, também podemos aprender com eles, sempre tenho aprendido muito.

Obrigada meus alunos, a cada dia aprendo muito com todos vocês!

Zil Araujo


domingo, 6 de outubro de 2013

O perigo do Olhar. Realidades e Realidades.


Podem me chamar de amargurada, depressiva, rabugenta ou algo pior.

Mas cada um sabe da sua realidade, assim ninguém pode "marginalizar"¹ o outro sem antes conhecer o mínimo de sua luta.

Posso não ser uma pessoa agradável, divertida, acolhedora, acessível. Geralmente consigo passar sempre a impressão de ser a pessoa mais horrível do mundo.

Não sei escrever, não tenho uma oratória boa, não sei passar corretamente meus pensamentos através de gestos, palavras, escrita. 

Acho que muitas pessoas, talvez, tenham essa mesma dificuldade.

O ruim de tudo isso é que sempre passamos por situações muito difíceis, pois por conta de tudo isso sempre somos tachados de rabugentos e assim ficamos marcados pela sociedade.

E como diz Jean Jacques Rousseau "O homem nasce bom e a sociedade é que o corrompe".

Isso porque ninguém nasce rabugento ou amargurado, são as condições da vida que o tornam assim. E mesmo que esse ser tente se modificar, sua "fama" já está tão impregnada que a própria sociedade o faz continuar desta forma, a própria sociedade o impede de promover essa mudança.

Aos longos das minhas 3 décadas de existência, passei por muitas dificuldades, todas possíveis e imagináveis. Mas uma coisa é certa, sempre tentei ao máximo evitar prejudicar pessoas do meu convívio, mesmo que merecessem ter de mim as piores atitudes e pensamentos.

Creio que fiz coisas erradas sim, mas sempre no intuito de minimizar situações erradas que estavam acontecendo. 

Sempre digo que o tempo é o senhor da razão, pelo simples motivos que a verdade sempre aparece, as máscaras caem, as pessoas se mostram. E o principal de tudo, aqueles que me marginalizaram percebem que foram injustos. Conseguem enxergar o verdadeiro motivo das minhas ações. 

Não sou uma pessoa muito inteligente, até posso afirmar que sou até muito burra em diversos momentos, pois sempre coloco o coração na frente da razão (por mais que pareça o contrário, sim faço isso). Mas o que é melhor? Prejudicar alguém e se dar bem e viver o resto de sua existência com a consciência pesada, ou se prejudicar, deixar alguém se dar bem em cima de você e dormir com a consciência de que pelo menos não foi você o causador de um mal maior???

Sofro muito, pois sei que sou rotulada de uma forma e no fundo também sei que não sou exatamente assim. Mas como disse, a vida e a sociedade me fizeram assim e depois de 3 décadas acho meio difícil a promoção da mudança.

Falar claramente é muito difícil, por isso, falar de forma subliminar seja menos doloroso, mas espero que tenham entendido o que está escrito nas entrelinhas.

Só peço que tomem muito cuidado quando rotularem as pessoas, tentem entender o outro, tentem entender a amargura de alguém, pois se não podem ajudar, pelo menos não piorem a situação marginalizando alguém que não conseguem entender a fundo.

Como disse no começo, cada um sabe somente da sua realidade, ninguém conseguirá entender como as pessoas chegam até aquele momento da vida, daquela determinada forma, portanto, não tire conclusões sobre a vida do outro, a partir da sua história de vida, pois existem outras histórias, outras perspectivas.

Uma vez vi um vídeo do TEDx onde a Chimamanda Adichie falou lindamente sobre o perigo de uma única história:

"Nossas vidas, nossas culturas são compostas de muitas histórias sobrepostas. [...] se ouvimos somente uma única história sobre uma outra pessoa ou país, corremos o risco de gerar grandes mal-entendidos."² 

É isso, devemos ter sempre cuidado para não olhar a história do outro somente sobre uma perspectiva. Devemos sempre retirar os "antolhos"³ dos nossos olhos.

(interioridade por @zilaraujo)



Webografia:

1. Colocar à margem; impedir de participar; situar fora do que é essencial, principal, central: marginalizar uma facção política.Tender a excluir da sociedade, a fazer perder sua integração social: transformações econômicas que marginalizam certos grupos sociais. fonte:http://www.dicio.com.br/marginalizar/


2.Chimamanda Adichie: o perigo de uma única história TED: http://www.youtube.com/watch?v=wQk17RPuhW8 . Acessado em 06/10/2013

3. Antolhos, anteolhos ou ante-olhos é uma vestimenta que se coloca na cabeça do cavalo para limitar a sua visão, e forçá-lo a olhar apenas para a frente (e não para os lados). Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Antolhos

Imagem: Obra do Artista Susumo Harada; Barueri - SP- Brasil; 11 de junho de 1938. Autodidata. Rosto masculino com tapadeira de cavalo. Madeira.2009. http://www.catalogodasartes.com.br/Detalhar_Biografia_Artista.asp?idArtistaBiografia=2060

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Quase







Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Luís Fernando Veríssimo

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Poema 20



Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Escribir, por ejemplo: "La noche está estrellada,
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,

y tiritan, azules, los astros, a lo lejos".
e tiritam, azuis, os astros, ao longe".

El viento de la noche gira en el cielo y canta.
O vento da noite gira no céu e canta.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite. 

Yo la quise, y a veces, ella también me quiso.
Eu a quis, e às vezes ela também me quis...

En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
Em noites como esta eu a tive entre os meus braços. 

La besé tantas veces bajo el cielo infinito.
A beijei tantas vezes debaixo o céu infinito. 

Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Ela me quis, às vezes eu também a queria. 

Como no haber amado sus grandes ojos fijos.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite. 

Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi. 

Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela. 

Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.
E o verso cai na alma como na relva o orvalho.

Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
Que importa que meu amor não pudesse guardá-la.

La noche está estrellada y ella no está conmigo.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. 

Mi alma no se contenta con haberla perdido.
Minha alma não se contenta com tê-la perdido.

Como para acercarla mi mirada la busca.
Como para aproximá-la meu olhar a procura.

Mi corazón la busca, y ella no está conmigo
Meu coração a procura, e ela não está comigo. 

La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.

Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.
Nós, os de então, já não somos os mesmos.

Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Já não a quero, é verdade, mas quanto a quis.

Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.
Minha voz procurava o vento para tocar o seu ouvido.

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. 

Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Já não a quero, é verdade, mas talvez a quero.

Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.
É tão curto o amor, e é tão longo o esquecimento. 

Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
Porque em noites como esta eu a tive entre os meus braços,

mi alma no se contenta con haberla perdido.
minha alma não se contenta com tê-la perdido.

Aunque ésta sea el último dolor que ella me causa,
Ainda que esta seja a última dor que ela me causa,

y éstos los últimos versos que yo le escribo.
e estes, os últimos versos que lhe escrevo.



20 poemas de amor y una canción desesperada
Pablo Neruda