quarta-feira, 10 de junho de 2015

A SOCIEDADE DA TERCEIRIZAÇÃO

A SOCIEDADE DA TERCEIRIZAÇÃO

Nada nesse mundo vem pronto. Tudo deve ser construído, perseguido, lutado.
Hoje a sociedade se tornou tão inerte que agora podemos conceituá-la de "SOCIEDADE DA TERCEIRIZAÇÃO".
Tudo é terceirizado: a responsabilidade, a luta, a ideia, à vontade, etc.
As pessoas ficam em sua zona de conforto e esperam sempre que o outro faça por elas. Se estamos desta forma, a grande culpa é de TODOS.
As maiorias dos membros da sociedade acham que sua responsabilidade terminou no momento do voto, ou do pagamento do imposto.
Mas como as coisas estão afunilando, agora querem terceirizar a culpa também.
A culpa é do político que não faz seu papel, a culpa é do médico que não trabalha direito, a culpa é do policial que não prende o bandido, a culpa é do professor que não ensina meu filho.
E onde está sua responsabilidade enquanto membro desta sociedade?
Você acompanha o dia a dia do seu filho na Escola?
Você sabe o que o político em quem votou está fazendo na câmara, no congresso?
Aliás você se lembra em quem votou nas ultimas eleições?
Mas "A culpa é minha eu coloco em quem eu quiser!" (autor desconhecido).
Esse é o lema, eu sei a culpa que tenho, porém não tenho tempo!
Eu trabalho, não sou vagabundo! Etc. etc. etc...
E assim, sempre com uma desculpa na ponta da língua, todos vão se desviando da sua responsabilidade social.
Hoje as pessoas só se sensibilizam sobre alguma responsabilidade se por acaso forem prejudicadas em algo, se a lei o obriga e ele possa ser punido de alguma forma ou até se isso lhe causará algum dano financeiro (no geral esse é o mais temível entre os atores sociais).
Mas mesmo quando estão sendo encurralados, humilhados, dilapidados, nem mesmo assim as pessoas tomam providências.
“É preciso reencontrar a coragem e a humildade de Sísifo, que não exige recompensa, mas sabe transformar qualquer atividade em sua própria recompensa.” (Michael Foley)
Esse deveria ser o lema do sujeito social.
Para Michael Foley (2011), todos deviam buscar o entendimento através das próprias experiências, pois esse seria o melhor meio de chegar a um equilíbrio racional do querer e do poder.
Isso tudo se tornou um grande impedimento da sociedade contemporânea, todos se valem do senso comum, aquela ideia que devo seguir porque todos seguem e assim vou sobrevivendo e me ausentando da responsabilidade que tenho, porque estou fazendo o que todos fazem.
Ainda segundo Foley (2011) essas se tornaram um emaranhado ridículo de ideias manipuladas e manipuladoras. Em uma entrevista à revista Galileu, Foley ainda postulou sobre a questão da transcendência nas religiões:
Transcendência é uma perda de si mesmo, uma imersão de si em uma unidade maior – e a sociedade moderna prefere tomar o atalho à transcendência por meio de álcool e drogas. Quanto à espiritualidade, não-crentes não devem permitir que isto seja reivindicado pela religião. Também pode ser uma espiritualidade ateia: essencialmente, um sentimento de admirar o milagre da existência consciente na galeria das maravilhas que é o universo.”
Está mais do que nítido que a sociedade como um todo se posicionou em agentes em fuga. Sempre buscando meios para responsabilizar o outro sobre o que está acontecendo de ruim na sociedade. Foley (2011) ainda afirma que a fuga de responsabilidades está tornando a sociedade infantil e individualista”. Não há como negar essa realidade.
Podemos verificar isso a cada esquina, na Tv, nas redes sociais, na escola, no trabalho, enfim, em todos os lugares. Todos reclamam, mas a culpa é sempre do outro.
O senso comum está a cada dia tornando a pessoas mais ignorantes, sem conhecimento concreto das situações em que nos encontramos. Novamente pegando o gancho do pensamento de Foley (2011) Se a ignorância é o problema, a solução deve ser o conhecimento. Portanto, percepção é redenção. Compreensão é salvação”.
Portando a única saída que podemos ver sobre essa inércia da sociedade e sua terceirização de responsabilidade é buscar a todo custo o conhecimento, somente o conhecimento pode libertar a sociedade da sua condição alienada. A Educação tem um grande papel nessa construção.
Quando o sujeito tem acesso a uma educação de qualidade, quando tem acesso ao conhecimento mais profundo da sua situação e de como pode ser um sujeito transformador da sua realidade, e que sobretudo tem poder para isso. Aí sim teremos a sociedade que merecemos. Uma sociedade justa, laica, e que promove uma vida verdadeira e completa para TODOS. Sairemos da Sociedade da Terceirização para a Sociedade da humanização responsável.
REFERÊNCIAS
FOLEY, Michel (trad. Eliana Rocha). A era da loucura – Como o mundo moderno tornou a felicidade uma meta (quase) impossível. Editora: Alaúde. 2011.

Por: Zildete M. Araujo
@ZilAraujo
10/06/2015


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